Quais são os 3 tipos de ruído que todo profissional de SST deveria saber?

Tempo de leitura: 7 minutos

Você conhece os tipos de ruído?
Você conhece os tipos de ruído existentes?

A falta de conhecimento sobre os 3 tipos de ruído existentes podem estar levando você a errar na realização dos levantamentos de exposição ocupacional a este agente, fomentando equívocos quando na adoção de medidas adequadas de controle.

A sua reputação como profissional SST pode estar comprometida caso você cometa estes erros no seu local de trabalho, ou em consultorias que você seja o responsável por realizar as avaliações.

Pensando nisto, o Descomplica SMS vai lhe mostrar o que você precisa entender sobre o ruído para que você possa se destacar perante seus pares!

Continue lendo este texto para saber mais sobre:

  • O que é ruído?
  • O que é limiar de audibilidade e limiar da dor?
  • Quais as diferenças entre ruído contínuo, intermitente e de impacto?
  • Quais são os efeitos do ruído no organismo humano?

_______________________________________________________

Você quer saber tudo sobre ruído? Como avaliar um ambiente utilizando um Dosímetro ou Decibilímetro, como elaborar laudos de Insalubridade por Ruído, Programa de Conservação Auditiva ou mesmo relatórios de Ruído Ocupacional?

Gostaria de receber meu suporte direto, em um grupo SECRETO do Telegram? Se sim, conheça meu treinamento especial:

Ruído Ocupacional Descomplicado

_______________________________________________

O que é ruído?

Durante nosso desenvolvimento como profissionais de SST, aprendemos que o ruído é um agente físico insalubre e com potencial de causar danos a saúde de trabalhadores caso esteja acima dos seus limites de tolerância informados na NR 15 – ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES .

No entanto, por muitas vezes não temos completa consciência do que é o som, ruído, barulho ou mesmo qualquer outro nome que poderia ser dado a esse fenômeno.

O som, basicamente, pode ser definido como variações da pressão atmosférica que originam vibrações. Logo, podemos entender o ruído como uma vibração mecânica que se propaga pelo ar e atinge o ouvido.

O som que pode ser ouvido pelos seres humanos  possui uma frequência situada entre 16 Hz e 20.000 Hz:

Com isto, definimos o som, ruído ou barulho como qualquer vibração do ar que pode ser ouvida.

Obs: Não há, na física, distinção entre som, ruído e barulho. De forma subjetiva e individual, o ruído e o barulho podem ser definidos como o som não desejado. Música alta para algumas pessoas é ruído, barulho; para outras é som.

O que é limiar da audibilidade e Limiar da dor?

O som, ruído ou barulho é definido como a vibração do ar que pode ser ouvida. No entanto, a variação da pressão – que é a diferença entre a pressão atmosférica na presença e na ausência de som – que origina as vibrações, deve possuir um valor mínimo para atingir o limiar da audibilidade, que é a menor variação da pressão que estimula o aparelho auditivo.

O limiar de audibilidade é 2x10-5 N/m2 ou 0,00002 N/m2. A este valor de pressão, definiu-se como sendo 0 dB (Decibel).

Quando a pressão sonora atinge aproximadamente 200 N/m2, o limiar da dor é atingido. Esse valor corresponde a 140 dB (Decibéis).

Limiar da audibilidade   0,00002 N/m²               Faixa audível      →        200 N/m²  Limiar da dor

Cada acréscimo de 6 dB dobra a pressão sonora:

Quais as diferenças entre ruído contínuo, intermitente e de impacto?

Conhecer os 3 tipos diferentes de ruído é de muita importância, uma vez que a configuração do equipamento que mede o Nível de Pressão Sonora (Decibelímetro) é diferente quando iremos levantar os valores de exposição para ruído contínuo e intermitente ou ruído de impacto.

Segundo a NR 15 – ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES, da Portaria 3.214/78 e a norma NHO 01 da FUNDACENTRO – Norma de Avaliação Ocupacional de Ruído; o ruído contínuo ou intermitente é entendido como aquele que não é ruído de impacto.

O ruído de impacto, segundo o anexo 2 da NR 15, e a NHO 01, é aquele que apresenta picos de energia acústica de duração inferior a 1 segundo, a intervalos superiores a 1 segundo. Como exemplo de ruído de impacto, poderíamos citar uma prensa hidráulica que efetue 40 golpes por minuto, ou seja, teríamos um golpe a cada 1,5 segundo.

Haveria ruído contínuo e intermitente, pegando o gancho do exemplo acima, caso a prensa efetuasse 70 golpes por minuto. Neste caso, a cada 0,85 segundos haveria um golpe que geraria ruído, em tempo inferior à 1 segundo necessário para classificar o ruído como sendo de impacto.

Embora as normas mencionadas não diferenciem o ruído contínuo e o intermitente, existem bibliografias que identificam as diferenças técnicas entre cada um:

Ruído contínuo: o NPS (Nível de Pressão Sonora) varia até 3 dB durante um período de observação maior que 15 minutos.

Ruído intermitente: o NPS (Nível de Pressão Sonora) possui variação maior ou igual a 3 dB em períodos de observação menores que 15 minutos e superiores a 0,2 segundos. (ASTETE, 1978)

De acordo com os anexos 1 e 2 da NR 15, para que possamos medir os níveis de ruído contínuo ou intermitente e de impacto, o instrumento de medição deve estar operando nas seguintes condições:

Ruído contínuo ou intermitente: circuito de compensação “A” e circuito de resposta lenta (SLOW).

Ruídos de impacto: circuito linear e circuito de resposta para impacto, ou em caso de o equipamento não dispor de medidor de NPS com circuito de resposta pra impacto, circuito de resposta rápida (FAST) e circuito de compensação “C”.

Em outros textos falaremos mais sobre os circuitos de compensação.

Quais os efeitos do ruído no organismo humano?

Existem várias consequências negativas para a exposição a ruído acima dos limites de tolerância e do tempo previsto pela NR 15. Por ser uma seara voltada para a área de medicina do trabalho, iremos mencionar efeitos auditivos do ruído sem a intenção de esgotar todas as consequências existentes:

Trauma acústico: as estruturas do ouvido são lesionadas devido a ruídos de curta duração e alta intensidade (explosões, tiros com arma de fogo, etc.) Pode haver uma perda auditiva imediata, severa e permanente.

Perda auditiva temporária: exposições moderadas a ruído acima do seu limite de tolerância podem causar perda auditiva temporária no trabalhador. Após um período de descanso prolongado deste, o sistema auditivo consegue recuperar suas propriedades, e volta a normalidade.

Normalmente, o tempo necessário para recuperação varia de 11 a 14 horas, sendo esta a principal razão pela qual, ao fazermos exames de acuidade auditiva (ASO, por exemplo), é pedido para que o trabalhador não vá a boates onde haja música alta, não ande de moto ou que não faça nenhuma outra atividade muito ruidosa.

Perda auditiva permanente: quando o trabalhador não é capaz de identificar sons em determinadas frequências, sendo as mais graves, aquelas abaixo de 1000 Hz, uma vez que a comunicação humana se encontra nesta faixa de frequência. Com isto, haverá comprometimento da capacidade de relacionamentos interpessoais do trabalhador afetado.

Se você chegou até a esse ponto do texto, significa que conheceu ou relembrou vários aspectos importantíssimos do ruído, e esperamos que tenha sido útil para sua jornada como profissional SST.

Nos próximos textos, nós iremos ensinar como elaborar laudos de exposição ocupacional ao ruído, como avaliar o ruído para caracterizar insalubridade e como definir o melhor tipo de medida de controle para este agente físico.

Para não perder nada, se inscreva na newsletter do Descomplica SMS.